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O certificado de 360 horas vira ponto no concurso

A Resolução CNJ 75/2009 aceita especialização de no mínimo 360 horas na prova de títulos da magistratura, e cada banca fixa quanto ela vale.

Certificado impresso ao lado de uma folha de edital com tabela grifada a lápis, sobre mesa clara.

A tabela de pontos grifada no edital

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R$ 690 por mês, dezoito mensalidades de uma especialização em Direito Público. R$ 12.420 pagos por um certificado que, na última etapa do concurso da magistratura, pode render meio ponto, pode render um ponto inteiro e pode render zero, dependendo de qual tribunal publicou o edital daquele ano.

O ponto existe e tem endereço normativo. A Resolução nº 75 do Conselho Nacional de Justiça, de 12 de maio de 2009, uniformizou os concursos de ingresso na carreira da magistratura brasileira e reservou a etapa final para a prova de títulos, de caráter classificatório. O anexo que lista os títulos aceitáveis inclui o certificado de pós-graduação lato sensu em área jurídica com carga horária mínima de 360 horas, ao lado do doutorado, do mestrado, do exercício de magistério superior e da aprovação em outro concurso público.

A resolução faz duas coisas ao mesmo tempo, e o candidato costuma enxergar só a primeira. Ela abre a porta para o certificado pontuar e fixa o total máximo que a prova de títulos pode somar. Não fixa, para o país inteiro, quanto cada linha da lista vale dentro desse total.

Quem preenche o espaço em branco é a comissão do concurso de cada tribunal, no capítulo de títulos do edital. Dois editais abertos no mesmo semestre, um de tribunal estadual e outro de tribunal regional federal, podem atribuir valores diferentes ao mesmo certificado de especialização, com exigências diferentes de comprovação e com regras próprias sobre acumular mais de um título da mesma categoria.

O certificado que hoje está guardado numa gaveta foi comprado sem essa leitura. A escolha do programa se deu pelo nome do professor, pelo horário de sábado e pela mensalidade, três critérios que não conversam com a tabela que decide o desempate na lista de aprovados.

Vale começar pelo que a norma reconhece como título e sob quais condições, depois onde a tabela de pontos de cada banca fica publicada e o que conferir nela antes de assinar contrato, e por fim quanto custa cada décimo de ponto comprado por essa via comparado com as outras linhas da mesma lista.

Continue lendo ↓

 
 

I  O PARECER

O que a norma aceita como título

A norma abre a porta para o certificado pontuar, e o edital de cada tribunal decide quanto ele vale.

A Resolução CNJ 75/2009 coloca a prova de títulos na etapa final do concurso da magistratura, com caráter classificatório, e admite o certificado de pós-graduação lato sensu em área jurídica com carga horária mínima de 360 horas entre os títulos apresentáveis. Classificatório significa que ninguém é eliminado ali, o que leva muito candidato a tratar a etapa como detalhe. Ela decide a posição na lista final, e posição na lista decide comarca de entrada, data de posse e a chance de a vaga acabar antes do seu nome.

A carga horária mínima é condição de entrada, não critério de valor. Um certificado de 360 horas e um de 600 horas entram na mesma linha da tabela, e nenhuma banca paga proporcionalmente pelas horas extras. Programa vendido com carga inflada resolve marketing, não pontuação.

Três atributos do certificado importam mais que a soma de horas. A instituição precisa estar credenciada para oferecer o curso, o conteúdo precisa ser de área jurídica compatível com o exigido no edital, e o documento precisa registrar a carga horária total, o período de realização e a aprovação do aluno na avaliação do curso.

Confira antes de assinar o contrato de matrícula se a instituição emite certificado com histórico anexo, discriminando disciplinas, carga horária de cada uma e conceito obtido. Certificado sem histórico entra na banca como documento incompleto e volta como diligência, dentro de um prazo de apresentação que costuma ser de poucos dias úteis e não se reabre.

Declaração de conclusão também merece atenção. Muitas comissões aceitam declaração da instituição no lugar do certificado definitivo, desde que a declaração informe a conclusão de todas as disciplinas, a aprovação no trabalho final e a data de encerramento do curso. Outras exigem o certificado registrado, sem substituto. A diferença aparece no edital, nunca na conversa com o consultor comercial da faculdade.

A data de conclusão manda mais que a data de matrícula. Título que ainda está sendo cursado no dia da apresentação não pontua, mesmo com todas as disciplinas pagas e cursadas, porque a banca avalia documento de conclusão. Um programa de dezoito meses iniciado depois da publicação do edital chega tarde para aquele concurso.

O tribunal escolhe quando abrir o concurso, e o intervalo entre um edital e outro na mesma corte passa de quatro anos com frequência. A especialização feita hoje serve ao edital que sair depois, com o valor que aquela comissão escrever.

"Ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica."

Constituição Federal, artigo 93, inciso I, redação dada pela Emenda Constitucional 45, 2004

 
 

II  A BOLSA

A tabela que cada banca escreve

O valor em pontos do seu certificado não sai da resolução nacional, sai do capítulo de títulos do edital do concurso, publicado no diário oficial do tribunal e no site da banca organizadora. A resolução desenha a moldura e fixa o teto da etapa; a comissão do concurso distribui os valores dentro dela e detalha o que aceita como prova documental de cada item.

O caminho até o documento é curto e quase ninguém percorre antes de escolher o curso. Site do tribunal, aba de concursos, edital do último certame de ingresso na magistratura, capítulo de prova de títulos, anexo com a tabela de pontuação. O edital anterior não vincula o próximo, mas é o melhor indicador disponível de como aquela corte trata cada categoria.

Capítulo de títulos do edital anteriorpontuação atribuída à pós-graduação lato sensu
Anexo de tabela de pontosse títulos da mesma categoria acumulam ou não
Item de comprovação documentalse aceita declaração ou exige certificado registrado
Cronograma do certamedata e formato da apresentação dos títulos
Texto compilado da Resolução CNJ 75/2009teto da etapa e lista de categorias admitidas

Baixe o edital do último concurso do tribunal que você pretende disputar antes de escolher a especialização, e leia o capítulo de títulos inteiro, não só a linha da pós. A leitura leva vinte minutos e reordena a decisão: pode revelar que naquela corte o exercício de magistério superior ou a aprovação em outro concurso público valem mais que o certificado que você está prestes a comprar.

Uma regra técnica derruba planejamento otimista com frequência. Títulos da mesma categoria costumam não se somar: dois certificados de especialização entram como um, valendo o de maior pontuação. Quem faz duas pós esperando dobrar o resultado descobre a regra depois de pagar as duas.

Outra regra cria hierarquia dentro da própria lista. Doutorado pontua mais que mestrado, que pontua mais que especialização, e algumas bancas fixam que o candidato apresenta um único título acadêmico, o de maior nível. Nesse desenho, a especialização feita por quem já tem mestrado concluído vale zero na prova de títulos, por mais útil que seja na atividade profissional.

O calendário do certame também entra na conta. A apresentação de títulos acontece em janela definida no cronograma, com prazo curto e forma de envio determinada pela banca. Documento correto entregue fora da janela recebe o mesmo tratamento de documento inexistente.

Para comparar o custo total de duas ofertas de pós e simular o desembolso mês a mês, a caixa de ferramentas que usamos está aqui: pegue pelo nosso link aqui.

 

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III  A CONTA

Quanto custa cada décimo

Uma especialização de 360 horas comprada por R$ 12.420 e pontuada em meio ponto por um edital custa R$ 24.840 por ponto inteiro na prova de títulos, e essa conta é a que decide se o programa entra no orçamento como investimento ou como consumo. O número muda de tribunal para tribunal porque o numerador é seu e o denominador é da banca.

A mesma conta aplicada às outras linhas da lista costuma inverter a ordem de prioridade. Aprovação em outro concurso público de carreira jurídica custa taxa de inscrição e meses de estudo que já estão sendo feitos de qualquer forma. Exercício de magistério superior custa tempo de preparação de aula, e paga salário no lugar de cobrar mensalidade. As duas linhas convivem com a preparação para o concurso, enquanto a pós disputa as mesmas noites da semana.

1Localize o capítulo de títulos do edital mais recente do tribunal-alvo e anote a pontuação exata da pós-graduação lato sensu e o teto da etapa.
2Divida o custo total do programa que você está avaliando pela pontuação que ele renderia naquele edital e escreva o custo por ponto num papel.
3Faça a mesma divisão para as outras categorias da tabela que você consegue cumprir nos próximos dois anos e ordene por custo.
4Confirme com a coordenação do curso, por escrito, a carga horária total do certificado, o credenciamento da instituição e o prazo de emissão do documento depois da defesa do trabalho final.
5Guarde certificado, histórico e ementa em PDF no dia da emissão, com nome de arquivo que traga instituição e ano, porque a janela de apresentação de títulos não espera segunda via.

Peça à secretaria acadêmica, ainda na matrícula, o prazo médio de emissão do certificado registrado depois da entrega do trabalho final. Programa que leva oito meses para emitir o documento transforma um curso concluído em título inexistente para o edital que abrir nesse intervalo, e esse prazo não aparece em nenhum material de venda.

A pós também rende fora da tabela de pontos. Conteúdo de área específica ajuda na prova discursiva, e o certificado pontua em outros concursos jurídicos e em processos de promoção interna. Nada disso justifica pagar sem ler a tabela, justifica manter o curso na lista depois da leitura.

O risco financeiro tem nome simples. Comprar um programa de dezoito meses acreditando numa pontuação que o próximo edital não vai repetir. Comissão nova reescreve a tabela, o teto da etapa se mantém e a distribuição interna muda, e o candidato descobre a mudança com o contrato já assinado e as parcelas correndo no cartão.

A Resolução CNJ 75/2009 recebeu alterações por resoluções posteriores do próprio Conselho, e o texto que vale é o compilado. Abra a página de atos normativos do CNJ em 1º de fevereiro e em 1º de agosto de cada ano, confirme a versão consolidada da resolução e o anexo de títulos, e na mesma visita baixe o edital vigente do tribunal que você pretende disputar.

"Quanto custa, em reais, cada ponto que meu certificado vai render no edital que eu pretendo disputar?"

 
 
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Segundo o texto, o que acontece quando o candidato apresenta dois certificados de especialização da mesma categoria?

AOs dois somam e o total dobra de valor
BSó o de maior pontuação conta, os dois entram como um título só
CCada um vale metade do valor original
DNenhum dos dois pontua, a banca descarta ambos

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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Parecer dado.

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