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O mestrado que obriga a trocar de país no meio
Consórcio de pelo menos três universidades de países diferentes, estudo obrigatório em dois deles e bolsa mensal de 1.400 euros.
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Dois países no mesmo diploma
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Mil e quatrocentos euros por mês, doze meses por ano, dois anos de programa: 33.600 euros pagos a um único estudante, valor fixado pela Comissão Europeia no Guia do Programa Erasmus+ do ciclo 2021 a 2027. Some a passagem e a instalação, que o mesmo guia prevê como parcela separada, e o pacote cobre a vida inteira de um mestrado feito em dois países. Nenhuma linha desse dinheiro sai do bolso de uma universidade brasileira, e nenhuma delas aparece num boleto de mensalidade.
O nome do arranjo é Erasmus Mundus Joint Masters, ou mestrados conjuntos Erasmus Mundus, linha de financiamento que a Comissão Europeia mantém dentro do Erasmus+, o programa europeu de educação e formação. Não se trata de uma universidade com bolsa para estrangeiro, e sim de um curso inteiro desenhado por um grupo de instituições que se juntam para oferecer um programa só.
Esse grupo se chama consórcio, e as regras publicadas pela Comissão Europeia no Guia do Programa exigem pelo menos três instituições de ensino superior de três países diferentes, com a maioria delas em países da União Europeia ou associados ao Erasmus+. Uma delas coordena, recebe o dinheiro e responde pela seleção.
A mobilidade não é um bônus para quem quiser. O estudante cumpre parte do curso em pelo menos duas das instituições do consórcio, e as instituições definem no desenho do programa qual trecho acontece em qual país, com prazo e créditos já distribuídos antes de a turma abrir.
A inscrição acontece direto no consórcio, com calendário próprio e formulário próprio, e a candidatura à bolsa entra no mesmo processo. Não existe embaixada intermediando, não existe prova unificada e não existe secretaria brasileira que valide a inscrição antes do envio.
Antes do dinheiro e antes da mudança de mala, vale entender que diploma sai desse arranjo, porque três assinaturas num certificado mudam o que ele resolve na volta ao Brasil.
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I O PARECER
Três reitorias assinam o mesmo certificado
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O documento que sai no fim carrega mais de uma instituição, e a forma dessa assinatura decide o trabalho burocrático que espera o egresso.
O programa entrega diploma conjunto, um único documento emitido em nome de todas as instituições do consórcio, ou diplomas múltiplos, um de cada universidade onde o estudante cumpriu carga horária. As regras do Erasmus+ publicadas pela Comissão Europeia tratam o diploma conjunto como a forma preferencial, e o consórcio informa no edital qual das duas ele emite.
A carga do curso é contada em ECTS, sigla do sistema europeu de transferência e acumulação de créditos, a moeda acadêmica que permite somar disciplinas feitas em países distintos dentro de um currículo só. Um mestrado conjunto Erasmus Mundus fecha entre 60 e 120 créditos desse sistema, o que coloca a duração entre um ano e dois anos conforme o programa escolhido.
O detalhe prático mora no somatório. O estudante não cursa um semestre solto na segunda universidade e depois pede aproveitamento: os créditos nascem dentro do currículo aprovado pelo consórcio, por acordo assinado entre as instituições antes da matrícula.
O QUE MUDA NA VOLTA AO BRASIL
Diploma estrangeiro de mestrado precisa de reconhecimento por universidade brasileira que ofereça curso de pós-graduação stricto sensu, o nível de mestrado e doutorado avaliado pela Capes, na mesma área. O procedimento corre na plataforma Carolina Bori, mantida pelo Ministério da Educação, e o reconhecimento é decisão da universidade que recebe o pedido.
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O diploma conjunto e o múltiplo seguem o mesmo caminho de reconhecimento, e a existência de várias instituições no documento não acelera nem trava o processo, que olha para o curso e para a instituição emissora. O egresso com diplomas múltiplos escolhe qual deles leva ao pedido, o que costuma favorecer a instituição com programa equivalente mais claro no Brasil.
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Há um efeito colateral pouco calculado na escolha do consórcio. Cada parceira tem reputação e rede própria, e o peso do nome no seu diploma depende de onde você pretende trabalhar depois, não do prestígio somado do grupo.
Quem pretende seguir para doutorado ganha um argumento extra: o curso exige dissertação com orientador nomeado, defendida diante de banca do consórcio, e esse texto entra na candidatura ao doutorado seguinte.
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"A Erasmus Mundus Joint Master is a high-level integrated study programme, delivered by an international partnership of higher education institutions."
Comissão Europeia, Erasmus+ Programme Guide, 2024
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II A BOLSA
Quem assina o cheque de 1.400 euros
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A bolsa dos mestrados conjuntos Erasmus Mundus é fixada pela Comissão Europeia no Guia do Programa Erasmus+, paga mensalmente ao longo do curso, com contribuição de 1.400 euros por mês para custo de vida, e limitada à duração do programa, no máximo 24 meses. A universidade não negocia o valor, e dois bolsistas do mesmo ano recebem a mesma contribuição mensal.
O pacote tem mais de uma parcela. O guia separa a contribuição para custos de participação, que cobre a taxa do curso e o seguro do estudante e vai direto para o consórcio, da contribuição para viagem e instalação, que responde pelo deslocamento, e da contribuição mensal para subsistência, que cai na mão do bolsista.
A seleção do bolsista pertence ao consórcio. Não existe formulário europeu paralelo: o candidato marca no formulário do curso que deseja concorrer à bolsa, e o mesmo comitê que avalia mérito acadêmico monta a lista de bolsistas, respeitando as regras de distribuição geográfica que a Comissão Europeia impõe ao programa.
Nem todo aprovado é bolsista. O consórcio oferece um número limitado de bolsas por turma e admite estudantes autofinanciados, que pagam a taxa do curso do próprio bolso e cumprem exatamente a mesma mobilidade entre países.
| Existência do curso no ciclo atual | Catálogo dos mestrados conjuntos Erasmus Mundus, no portal do Erasmus+ da Comissão Europeia | | Composição do consórcio e países | Página do próprio curso, com a lista de instituições parceiras e o trajeto de mobilidade | | Valor vigente da bolsa e das parcelas | Guia do Programa Erasmus+ em vigor no ano da candidatura | | Prazo e documentos da inscrição | Edital do consórcio, publicado no site do curso |
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O catálogo do Erasmus+ lista os cursos com bolsa aberta no ciclo, e um curso que existiu numa edição anterior pode não estar financiado no ciclo seguinte, porque o financiamento é concedido por período determinado. Conferir o catálogo antes de montar a documentação evita preparar uma candidatura para uma turma que não abre.
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Existe uma condição que muitos candidatos descobrem tarde. As regras do programa restringem o benefício a quem ainda não recebeu bolsa Erasmus Mundus antes, e o candidato que já cursou um mestrado conjunto financiado não concorre de novo à mesma contribuição.
Antes de contar com o dinheiro, o candidato lê o edital do consórcio e localiza a cláusula sobre elegibilidade e sobre o calendário de pagamento. O documento costuma indicar quando a primeira parcela cai, informação que muda o quanto de reserva própria a mudança exige nos primeiros meses.
Para comparar o custo total de duas ofertas de pós e simular o desembolso mês a mês, a caixa de ferramentas que usamos está aqui: pegue pelo nosso link aqui.
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