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O mestrado tem nota da Capes e o MBA não tem nenhuma
O mestrado profissional recebe nota de 3 a 7 na Plataforma Sucupira e o MBA lato sensu não recebe nota nenhuma.
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A pasta que sai com nota e a que sai vazia
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Duas propostas chegam na mesma semana, e as duas prometem a mesma coisa: aplicação prática, professor com estrada de mercado, projeto final ligado ao problema real da empresa. Uma delas custa quatro vezes a outra. A mais barata pede dedicação de dois anos, aula de manhã em dia útil e uma banca no fim. A mais cara cabe em fim de semana, promete quinze meses e entrega um certificado com nome de escola de negócios.
O profissional que recebe as duas propostas normalmente compara pelo item errado. Ele olha a grade, conta as disciplinas, mede a distância até o campus e faz a conta do boleto. O que quase nunca entra na comparação é a pergunta que decide quase tudo depois: quem avalia esse curso, e onde essa avaliação fica registrada.
Existe uma diferença de arquitetura entre os dois produtos que não aparece em nenhum folder comercial. Um deles vive dentro de um sistema nacional de avaliação, com ciclo, com comitê de área e com uma nota que qualquer pessoa consulta na internet em dois minutos. O outro vive fora desse sistema, autorizado por outra via, sem nota, sem ranking oficial e sem comparação pública possível.
Não é uma questão de qualidade automática. Existe programa avaliado com nota mediana que entrega menos que um curso livre bem feito, e existe curso sem nota nenhuma que muda a trajetória de quem faz. A diferença é de informação disponível antes da matrícula, e de efeito jurídico depois dela.
Quem entende a arquitetura escolhe pelo objetivo. Quem não entende escolhe pelo preço ou pelo nome da marca, e descobre a diferença dezoito meses depois, quando precisa que o papel faça alguma coisa específica que ele nunca esteve desenhado para fazer.
Vale começar pelo lugar onde a nota mora, o que ela mede e por que o outro título nunca chega perto dela.
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I O PARECER
Quem dá nota e quem não dá
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Um título sai com nota de 3 a 7. O outro não tem nota nenhuma.
A Plataforma Sucupira é o lugar onde o mestrado profissional aparece com um número ao lado do nome. A Capes avalia os programas de pós-graduação stricto sensu em ciclos quadrienais, e a nota vai de 1 a 7. Programa com nota 1 ou 2 perde o credenciamento, então na prática o que existe em funcionamento começa no 3.
O corte importa. Nota 3 é o piso de quem está autorizado a funcionar e a diplomar. Nota 4 e 5 são o miolo do sistema, onde vive a maior parte dos programas profissionais. Nota 6 e 7 são reservadas a programas com desempenho equivalente ao padrão internacional, e o mestrado profissional dificilmente sobe até lá, porque a régua do topo pesa produção acadêmica.
O que a avaliação olha em um mestrado profissional não é só artigo publicado. Entram a formação do corpo docente, a produção técnica e tecnológica, a aderência dos trabalhos finais ao campo de aplicação, a inserção do egresso no setor produtivo e o impacto regional do programa.
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O MBA lato sensu não recebe nota porque ele não está dentro do sistema que atribui nota: a avaliação da Capes cobre mestrado e doutorado, e a especialização segue por outra via normativa. Não existe conceito 3, não existe conceito 5, não existe ficha de programa na Sucupira.
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A via da especialização é a Resolução CNE/CES 1/2018, que fixa as condições de oferta. Ela exige carga horária mínima de 360 horas, exclui o tempo gasto com trabalho de conclusão, e determina que ao menos um terço do corpo docente tenha título de mestre ou de doutor. Não há visita, não há ciclo de avaliação, não há nota.
A consequência é uma assimetria de informação bem concreta. Antes de assinar a matrícula em um mestrado profissional, dá para abrir a ficha do programa, ver a nota, ver a lista de docentes, ler as dissertações defendidas nos últimos anos e conferir o tempo médio de titulação.
Antes de assinar a matrícula em um MBA, a única coisa verificável é se a instituição está credenciada no e-MEC e se ela é de fato uma instituição de ensino superior. O conteúdo, o corpo docente e o resultado do curso ficam com a palavra da própria escola.
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"A avaliação não é apenas um instrumento de controle, ela é o mecanismo que produz a informação pública sem a qual a escolha do estudante se transforma em aposta."
Simon Schwartzman, A Universidade Brasileira em Questão, 1988
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A assimetria cria um dever de checagem que muda de natureza. No stricto sensu, a checagem é de leitura: consultar a nota e o histórico. No lato sensu, a checagem é de investigação: pedir a lista nominal dos professores com titulação, o plano das disciplinas com carga horária e o registro da instituição no cadastro do MEC.
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II A BOLSA
Horas, aulas e o que se faz em sala
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A carga horária dos dois títulos parte de números diferentes e termina em experiências diferentes. A especialização tem piso legal de 360 horas de aula. O mestrado profissional não trabalha com um piso único de horas, ele trabalha com créditos definidos pelo regimento do programa, e o total costuma ficar entre 24 e 36 créditos.
Traduzindo em tempo de sala, um mestrado profissional típico soma entre 360 e 540 horas de disciplina, e o número relevante nem é esse. O que muda a rotina é o que existe além da aula: orientação individual, qualificação e defesa pública de um trabalho final diante de banca.
| Carga mínima legal do lato sensu | 360 horas | | Faixa comum de disciplinas no mestrado profissional | 360 a 540 horas | | Duração típica de um MBA executivo | 15 a 24 meses | | Duração típica de um mestrado profissional | 24 meses | | Nota possível na avaliação da Capes | 3 a 7 | | Nota possível para o lato sensu | nenhuma |
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A diferença que mais pega quem vem do mercado é a orientação. No MBA, o trabalho de conclusão costuma ser um projeto aplicado avaliado por um professor da disciplina final, às vezes em grupo. No mestrado, existe um orientador designado, encontros regulares durante meses e uma banca com avaliadores externos que podem reprovar o trabalho.
A rotina semanal também separa os dois. Boa parte dos MBAs executivos concentra as aulas em sexta à noite e sábado, com módulos quinzenais. Mestrado profissional costuma exigir presença em dia útil, no horário em que o campus funciona, o que obriga a negociar com o empregador ou a reorganizar a operação do próprio negócio.
O perfil de quem senta ao lado muda o valor da sala. Turma de MBA executivo reúne gente de setores distintos, com faixa salarial parecida e interesse em rede de contatos. Turma de mestrado profissional reúne gente do mesmo campo de aplicação, muitas vezes do mesmo setor regulado, discutindo o mesmo tipo de problema.
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Se o ganho esperado é rede de contatos ampla e vocabulário de gestão para trocar de função, a sala do MBA entrega mais: se o ganho esperado é aprofundamento técnico em um campo específico e capacidade de produzir evidência, a sala do mestrado entrega mais.
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Existe uma pegadinha de carga horária que aparece na hora do certificado do lato sensu. As 360 horas precisam ser de atividade de ensino, e o tempo dedicado ao trabalho de conclusão não conta para esse total. Curso que anuncia 400 horas incluindo o TCC pode estar oferecendo 340 horas de aula, abaixo do mínimo.
Vale conferir a divisão das horas no contrato antes de assinar, porque o certificado emitido fora da regra de carga horária vira um problema silencioso, que só aparece quando alguém analisa o documento com atenção para conceder um direito.
Para transcrever a conversa com a coordenação sobre grade, carga e horário e não depender de memória na hora de comparar as propostas, o Granola grava e resume em segundo plano: pegue pelo nosso link aqui.
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III A CONTA
O que cada título abre, e por quanto
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No concurso público, a diferença entre os dois títulos costuma valer pontos, e a pontuação segue a hierarquia do sistema de titulação. Editais que preveem prova de títulos separam especialização, mestrado e doutorado em faixas próprias, e a faixa do mestrado vale mais que a da especialização.
A conta financeira anda no sentido contrário da conta de pontos.
| Mensalidade média de MBA executivo em escola de nome | R$ 3.400 | | Total do MBA em 18 meses | R$ 61.200 | | Mensalidade de mestrado profissional em instituição privada | R$ 2.100 | | Total do mestrado em 24 meses | R$ 50.400 | | Mestrado profissional em universidade pública | R$ 0 | | Pontuação típica de especialização em prova de títulos | 1 ponto | | Pontuação típica de mestrado em prova de títulos | 2 pontos |
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A linha da universidade pública é a que quase ninguém coloca na planilha. Existe mestrado profissional gratuito em programa de universidade federal e estadual, com processo seletivo por prova e projeto, e a barreira ali é de admissão, não de dinheiro.
No plano de cargos do serviço público, o efeito é permanente e cumulativo. Um adicional de titulação incorporado ao salário paga o curso inteiro em poucos anos, e a diferença percentual entre a faixa de especialização e a de mestrado costuma ser de vários pontos sobre o vencimento básico.
No mercado privado, a lógica se inverte de novo. Para posição de gestão em empresa grande, o MBA de escola conhecida costuma pesar mais no filtro do recrutador do que o mestrado profissional, porque o nome da escola comunica um padrão de rede e o título acadêmico às vezes sugere caminho de pesquisa.
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A escolha certa não sai da comparação entre os dois títulos, sai da resposta a uma pergunta anterior: onde esse papel vai ser apresentado, e quem vai analisá-lo.
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Existe um caminho híbrido que poucos consideram. Fazer o mestrado profissional em universidade pública, sem mensalidade, e investir a diferença em programas curtos de rede de contatos, viagens de imersão ou certificação técnica específica do setor, que custam uma fração do MBA completo.
O erro que se paga caro é escolher pelo prestígio do nome quando o objetivo era titulação formal, ou escolher pela titulação formal quando o objetivo era mudar de setor e a porta de entrada era a rede de contatos da turma. Os dois produtos funcionam, cada um dentro do problema que ele resolve.
Antes de assinar qualquer contrato, uma checagem de dez minutos resolve. Abra a Plataforma Sucupira, procure o programa pelo nome e veja se ele aparece com nota. Se aparecer, você está comprando um título avaliado. Se não aparecer, você está comprando a reputação da escola, e vale saber a diferença antes.
"O papel que eu estou prestes a comprar vai ser lido por uma banca com tabela de pontos ou por um recrutador com pressa?"
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Quiz da edição
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Qual resolução do CNE/CES fixa as condições de oferta da especialização (MBA lato sensu), com carga mínima de 360 horas?
Resultado da última edição: 0% acertaram.
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